SCUT: "Governo quer poupar nas PPP atirando os custos para os utilizadores"

18 de janeiro 2013 - 14:21

O Bloco de Esquerda vai chamar o secretário de Estado dos Transportes por causa da introdução de novas portagens que o Governo prepara e que afetarão especialmente a Região Norte. Ana Drago diz que a medida vai ter efeitos muito duros na atividade económica.

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Foto Paulete Matos

A imprensa desta sexta-feira anuncia que o Governo vai avançar com 15 novas portagens nas ex-SCUT no âmbito da renegociação das Parcerias Público-Privadas rodoviárias. 13 dos 15 novos pórticos serão instalados a norte do Mondego. Na SCUT do Norte Litoral, que liga Porto a Viana do Castelo e é explorada pela empresa espanhola Ferrovial, estão previstos três novos pórticos no troço entre Viana e Ponte de Lima, dois entre o Porto e Viana e outros dois entre Viana e Caminha. Na ex-SCUT da Costa de Prata, concessionada à Mota Engil e ao Grupo Espírito Santo (Ascendi), o Governo quer acrescentar quatro pórticos: três entre Miramar e Maceda e um entre Aveiro e a Barra. Na ex-SCUT do Grande Porto, concessionada ao mesmo grupo, prevê-se a instalação de um pórtico no troço entre a estrada nacional 106 e Lousada. O troço da A42 entre Longra e Felgueiras passará também a ser portajado, bem como o acesso ao Porto para quem vem da Maia pela A3, gerida pela Brisa (grupo Mello).

Para o Bloco de Esquerda, este anúncio é motivo mais que suficiente para o Parlamento ouvir o secretário de Estado dos Transportes. A deputada Ana Drago afirmou aos jornalistas ter tomado a iniciativa de requerer esta audição "porque é altura do Governo explicar qual é a sua estratégia quer para a atividade económica quer ao nível da renegociação das PPP. Não pode mais uma vez atirar todos os custos para os utilizadores, o que leva ao sufoco da atividade económica".

"Percebemos qual é a estratégia do Governo quando disse que ia fazer poupanças com as PPP rodoviárias: atira o custo destas PPP para os utilizadores", declarou a deputada bloquista, lembrando que "nós já temos uma economia em contração - a região Norte é a que tem mais desemprego. Portanto, fazer um custo acrescido à atividade económica e à vida na Região Norte é particularmente gravoso no momento em que estamos a falar. Do que precisamos é de mais atividade económica e criação de emprego".

"Tudo isto é muito nebuloso e vai ter efeitos muito duros na atividade económica - já tivemos uma redução brutal do número de utilizadores destas estradas portajadas e quando olhamos para as estradas nacionais vemos que não são uma verdadeira alternativa", acrescentou Ana Drago.

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