João Semedo começou por confrontar Passos Coelho com a intenção anunciada esta semana de manter os cortes de salários e pensões, anteriormente apresentados como provisórios. Na resposta, o primeiro-ministro confirmou que "as políticas que prosseguimos que implicaram redução de rendimento não são para substituir de um ano para o outro", acrescentando que também o PS "reconheceu que não é possível prescindir dessas medidas de um ano para o outro".
"Podemos então concluir com toda a certeza que os cortes de salários e pensões são para continuar e que até admite ir mais longe", contrapôs Semedo, questionando Passos Coelho sobre os seus planos para cortar mais nos serviços públicos de forma a cumprir as imposições da troika e de Bruxelas. "Há um milagre que não faço: descer o défice e não poupar mais nada no Estado. Isso não sei fazer", respondeu Passos Coelho, prometendo apresentar "até ao fim deste mês o essencial das medidas que vai tomar para cumprir as metas" do défice para este ano e desafiando João Semedo a dizer como reduziria o défice.
"Como é que se reduz o défice? Só há uma forma, que é fazer crescer a economia. O problema é que a sua política fez exatamente o contrário. E não venha falar nos pequenos pozinhos de crescimento que tem todos os dias anunciado, porque eles, como sabe tão bem como eu, têm pés de barro, são pouco consolidados, e em qualquer momento podemos entrar novamente em regressão económica", respondeu Semedo.
O coordenador bloquista lamentou que o primeiro-ministro não tenha "mais nada que apresentar aos portugueses que não seja mais cortes" para colocá-los num "caminho de empobrecimento". "É lamentável que o senhor não se arrependa desse caminho", concluiu João Semedo.