Semedo: "O regresso aos mercados é artificial"

23 de janeiro 2013 - 9:58

João Semedo diz que o Bloco de Esquerda não alinha na “campanha de mistificação sobre a situação em que se encontram as contas públicas e a economia do país" e que o plano da troika e do Governo contra os salários e o Estado Social continua em marcha.

PARTILHAR
Foto Paulete Matos

“As notícias hoje conhecidas não trazem qualquer alívio aos portugueses", afirmou o coordenador bloquista a propósito da emissão de dívida sindicada a um grupo de grandes bancos europeus, a que se juntou o BES. "A austeridade, os impostos, os cortes nas pensões, os cortes no Estado Social são para continuar, é esse o plano do Governo e da troika", acrescentou Semedo aos jornalistas. 

Para o coordenador bloquista, “o regresso aos mercados é um regresso através de uma operação particular estabelecida por um consenso bancário e que não representa a recuperação da soberania financeira de Portugal”. A par deste regresso artificial, Semedo criticou também o "défice virtual", calculado em 4,6%, que só "foi possível à custa da alienação de empresas públicas que constitui um empobrecimento do país". Quanto ao alargamento dos prazos de pagamento pedido por Vítor Gaspar à troika, Semedo defende que "mais prazo para pagar a dívida resulta apenas de a dívida ser maior do que quando o programa da ‘troika’ começou”

“O país encontra-se numa espiral recessiva. O Bloco reafirma necessidade de o país se libertar do programa da ‘troika’ e iniciar com os credores institucionais e particulares, nacionais e internacionais, uma negociação direta do valor das taxas de juro que hoje obriga o país a enormes sacrifícios e o valor da dívida", concluiu o coordenador bloquista na conferência de imprensa dada esta terça-feira no Parlamento.

Termos relacionados: Política