Em comunicado conjunto emitido esta terça-feira, as organizações sindicais ASPL, FENPROF, SEPLEU, SIPE, SIPPEB e SPLIU denunciam as pressões do ministério de Nuno Crato sobre os professores, que incluem "os boatos postos a correr quanto ao desconto salarial decorrente da greve". "A realização desta greve apenas poderá levar ao desconto correspondente ao número de horas em que os professores estiveram em greve e nunca a um dia inteiro", esclarecem os sindicatos.
As organizações afirmam que "estarão com os professores, nas escolas, no dia mais importante da luta contra a prova", que se deveria realizar em mais de cem escolas no país. E denunciam "as pressões que estão a ser feitas sobre os professores dos quadros para que aceitem o papel de carrascos dos seus colegas sem vínculo".
Essas pressões têm sido feitas também sobre os diretores das escolas, nomeadamente para que façam o levatamento prévio da adesão à greve e convoquem todos os docentes para a vigilância da prova que supostamente iria avaliar a competência de professores com anos de experiência e formação. Os sindicatos denunciam ainda pressões feitas sobre os diretores que decidiram convocar apenas o número necessário de professores para vigiar os colegas.
"Seria interessante e absolutamente legal se os próprios diretores entrassem em greve, porque também o podem fazer, porque são professores”, declarou Mário Nogueira à agência Lusa. O líder da Fenprof espera uma "adesão fortíssima" à greve de quarta-feira. “Os professores não têm de dizer antes que vão fazer greve, não têm de o dizer hoje [terça]”, recordou Nogueira.
Reuniões de preparação marcadas pela oposição à prova
As reuniões de preparação da prova também têm servido para os professores manifestarem a intenção de boicotar a sua realização. O agrupamento de escolas Sidónio Pais, em Caminha, aproveitou a reunião para apelar a todos a que "se juntem a nós e façam deste dia um momento elevado de defesa da dignidade da nossa profissão".
"A escolha é simples: Colaborar com os mecanismos processuais que levarão ao despedimento definitivo de pessoas que trabalham connosco ou lutar pela defesa de ideias de solidariedade e de proteção da dignidade e direitos de outras pessoas, professores como nós.", diz a moção aprovada pelos professores.
Para estes docentes de Caminha, "quem quiser afirmar a sua dignidade como professor/educador e quiser, além disso, prevenir que, no futuro, lhe apliquem o mesmo tratamento indigno, faz greve e não colabora com o que se vai fazer na quarta-feira".