A cadeia de cafés norte-americana Starbucks despediu esta terça-feira sete trabalhadores da loja Poplar & Highland, em Memphis, que estavam a tentar organizar um sindicato nas suas instalações. É um terço do total do pessoal aí contratado.
Ao The Washington Post o porta-voz da empresa, Reggie Borges, alega que o despedimento não foi devido à mobilização sindical mas por “violações significativas” da políticas de segurança da empresa. Com isto refere-se apenas a uma entrevista dada por estes ativistas nas instalações do café à estação televisiva WMC-TV depois do horário de trabalho. Borges acusa os trabalhadores de terem, durante o período da entrevista, deixado a porta não trancada.
You’re looking at the first @Starbucks employees in #Memphis trying to unionize.
Hear their grievances, see the steps needed to form a union and find out who’s helping these workers tonight on @WMCActionNews5 at 10. pic.twitter.com/pBn73jn7ib
— Joyce Peterson (@MemphoNewsLady) January 19, 2022
O despedimento é contestado pelo Starbucks Workers United que afirma tratar-se de uma retaliação, salientando que as normas que levaram ao despedimento “nunca foram consistentemente aplicadas antes”. Casey Moore, porta-voz deste grupo, acrescenta que “se a Starbucks tivesse consistentemente despedido pessoas por estas violações que alegaram para os trabalhadores de Memphis teriam muita dificuldade em manter muito do seu pessoal”.
O SWU queixou-se entretanto sobre isto à entidade reguladora do trabalho nos EUA, a National Labor Relations Board. Dois despedimentos anteriores de trabalhadores da Starbucks que se tinham tentado organizar-se sindicalmente noutros locais, em 2019 e 2020, foram já considerados como ilegais.
“We are disappointed by the termination of the 7 partners fired in Memphis. This termination was blatant retaliation and while it was meant to discourage us from unionizing more, it has only emboldened us and highlighted the need for this union even more.” 63rd & Grand Committee pic.twitter.com/GtlE8be4CZ
— SBWorkersUnited (@SBWorkersUnited) February 10, 2022
Depois dos trabalhadores de um café da rede em Buffalo terem conseguido há meses criar o primeiro sindicato no interior da empresa, num país onde para o fazer é preciso a maioria dos trabalhadores concordarem com isso em referendo, mais de 50 outros locais de trabalho começaram processos de tentativa de sindicalização.
A unidade de Poplar & Highland foi uma delas. E a estudante-trabalhadora Kylie Throckmorton uma das pessoas que se mexeu e acabou despedida. Prometendo lutar contra esta decisão, a trabalhadora descreve ainda condições de trabalho “perigosas” como frigoríficos que derramam água causando quedas. Nos dois anos que trabalhou neste local, as queixas apresentadas nunca surtiram efeito. Sobre os factos que motivaram o despedimento, garante não ser a primeira vez que pessoas estranhas ao serviço entraram na loja depois do horário trabalho e que nunca antes tinham sofrido quaisquer consequências.
As notícias do despedimento foram recebidas com indignação por vários setores políticos e sociais. A senadora estadual do Tennessee, Raumesh Akbari, colocou-se ao lado dos trabalhadores declarando que nos EUA “valorizamos o trabalho e é ilegal despedir pessoas por formar um sindicato”. E uma recolha de fundos solidária com os despedidos na plataforma GoFundMe, com o objetivo de chegar aos 50 mil dólares, conseguiu em pouco tempo atingir os 45 mil dólares.