Transportes: greve foi “enorme demonstração de descontentamento”

16 de agosto 2012 - 0:49

Protesto contra as novas regras do Código de Trabalho, que implica a suspensão dos Acordos de Empresa quanto ao pagamento das horas extraordinárias e outras medidas, teve grande adesão. Sindicatos dizem que governo deveria tirar lições.

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Greve deve "fazer o governo meditar na irresponsabilidade das suas medidas", dizem os sindicatos. Foto de Paulete Matos

A greve dos transportes públicos desta quarta-feira teve adesão total na CP - Comboios de Portugal (só circularam os comboios designados por mínimos), sendo que a CP-Carga nem sequer organizou transportes para o dia 15. Na REFER a adesão foi superior a 70%, no Metropolitano de Lisboa, 100% no período de greve, na Carris a adesão rondou os 50% e nos STCP foi menor, mas chegou a cerca de 30%, avalia a Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (FECTRANS).

Fonte oficial da CP reconheceu que a adesão à greve foi total, realizando-se apenas as seis ligações de longo curso que tinham sido definidas como serviços mínimos pelo Tribunal Arbitral.

Já na Carris, a adesão foi de cerca de 30%, disse à Lusa o porta-voz da empresa, Luís Vale, um número inferior ao avançado pelos sindicatos.

As estruturas sindicais contestam as alterações introduzidas nos Acordos de Empresa (AE), na sequência da revisão ao Código do Trabalho, que contempla um corte para metade no valor pago pelas horas extraordinárias e o fim do direito a descanso compensatório por trabalho em dia de folga.

“Esta adesão deve fazer o governo meditar na irresponsabilidade das suas medidas, num sector em que parte significativa da oferta é assegurada por recurso ao trabalho extraordinário, medida que os patrões e administrações adotam para limitar a criação de novos empregos”, afirma um comunicado da Fectrans, divulgado no final da greve.