A eurodeputada eleita pelo Bloco de Esquerda salientou que tem sido muito forte o impacto da demonstração de que "as privatizações não ajudarão a recuperar a economia, quanto muito ajudarão a afundar ainda mais a economia e a aumentar o défice".
Marisa Matias no Conselho Superior
"Vendemos tudo, encaixa-se o dinheiro, depois gasta-se e com o que ficamos?", perguntou Marisa Matias enquadrando a estratégia de privatizações do governo na situação nacional, uma estratégia em que, acrescentou, tudo serve de desculpa para vender ativos públicos "para encaixar dinheiro rápido", dinheiro que "não é utilizado para redistribuir, para chegar a quem dele mais precisa, é dinheiro para continuarmos a pagar os juros da dívida numa lógica de destruição da economia".
A eurodeputada da Esquerda Unitária (GUE/NGL) eleita pelo Bloco de Esquerda salientou ainda na sua crónica semanal no programa Conselho Superior da Antena Um que a privatização da ANA prevista para 27 de Dezembro, além de se caracterizar pela mesma "falta de transparência" que envolve todo o processo de venda de bens públicos criado pelo atual governo, também viola princípios que o executivo diz defender e estabelecidos no Direito Comunitário. É o caso de essa privatização prever a entrega dos dez aeroportos nacionais a uma única entidade privada, gerando uma situação de absoluto monopólio e de total desrespeito pela concorrência.
Os principais aeroportos nacionais da Alemanha têm gestão pública, disse Marisa Matias, "e por alguma coisa deve ser". Acrescentou que o governo português, sempre tão célere a cumprir ordens alemãs poderia ao menos ter em conta "os bons exemplos" que existem nesse país.
Notícia publicada no site do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda