Ekrem Imamoglu, o presidente da Câmara de Istambul que derrotou o partido de Erdogan na maior cidade turca depois deste ter estado 25 anos no poder, foi condenado na passada quarta-feira a dois anos, sete meses e 15 dias de prisão por ter “insultado” as autoridades do país. A pena é acompanhada pela de interdição de cumprimento e candidatura a cargos políticos.
O autarca ficará por enquanto em liberdade por ter recorrido da sentença. Mas é esperado que esta inviabilize a possibilidade de uma candidatura às eleições presidenciais de junho, que ele estaria a equacionar. O membro do Partido Republicano do Povo, CHP, contava-se entre as figuras da oposição que as sondagens indicam que podem derrotar Erdogan, a braços com problemas económicos como uma inflação na ordem dos 85%. A oposição apresentar-se-á a estas eleições com uma coligação de seis partidos, mas ainda não apresentou oficialmente o seu candidato.
Imamoglu foi acusado de ter chamado “imbecis” aos responsáveis pela justiça eleitoral que tinham anulado a vitória nas autárquicas de março de 2019. A repetição da votação a que foi obrigado três meses mais tarde apenas aumentou a sua vantagem. Sobre esta acusação, o dirigente da oposição retorque que “apenas respondi, devolvendo-lhe os seus próprios termos, ao ministro do Interior que me tinha chamado idiota”.
Esta quinta-feira, milhares de pessoas manifestaram-se contra a decisão. Imamoglu tomou a palavra para dizer que não tem “medo absolutamente nenhum desta decisão ilegítima”, que “não tenho juízes para me proteger mas tenho os 16 milhões de habitantes de Istambul e a nossa nação por detrás. Juntos, vamos acabar com esta ordem defeituosa”, prometeu.