Comentando o acordo estabelecido pelos dirigentes europeus instituindo o Banco Central Europeu como supervisor bancário único, mais "uma vitória da senhora Merkel", a eurodeputada da Esquerda Unitária (GUENGL) eleita pelo Bloco de Esquerda considera que ele não resolve "muitas das falhas" que dizem respeito à vida dos cidadãos. Apesar de passar a haver um supervisor único, "os mecanismos para os resgates dos bancos em caso de estes entrarem em dificuldades continuarão a ser nacionais", explicou Marisa Matias acrescentando que se manterá a situação de não haver um mecanismo europeu "que contribua para que a fatura não caia na mesma sobre os contribuintes".
Além deste problema "de inconsistência", a eurodeputada denunciou durante a sua presença semanal no programa Conselho Superior da Antena Um que continuará a não haver controlo democrático sobre o Banco Central Europeu (BCE), apesar do reforço dos seus poderes. "Mário Draghi, presidente do BCE, é o homem que mais manda na Europa, sem ter sido eleito", disse. E esta estrutura estabelecida continua a manter o controlo do sistema financeiro sobre a economia, em vez do contrário.
Entre as deficiências enumeradas, Marisa Matias inclui ainda o facto de a supervisão bancária se concentrar apenas sobre 200 bancos, de a entrada em vigor, 1 de Março de 2014, ser apenas depois das eleições alemãs de 2013 e de o sistema "ser união bancária para uma coisas e não para outras, ficando muito atrás do que precisamos".
Artigo publicado no portal do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu