Ao fim de 14 anos de luta persistente, a Comissão de Utentes da Via do Infante vai finalmente poder celebrar a abolição das portagens na A22. “Foi uma luta interessante e que saiu vitoriosa, não obstante os prejuízos que causou ao Algarve. (…) Muitas mortes, muito sofrimento, muitas famílias destruídas, mas a conclusão que se tira no final é que vale a pena lutar e o Algarve está de parabéns”, referiu João Vasconcelos numa conferência de imprensa em Loulé, citado pela agência Lusa.
Esta quarta-feira, a comissão promove buzinões junto às entradas e saídas da A22 às 10h e às 16h para celebrar o fim das portagens. Mas a festa não fará esquecer que “a luta ainda não terminou”, afirmou o representante da comissão, garantindo que a partir de agora será preciso exigir a desmontagem dos pórticos “porque não sabemos se amanhã não teremos um outro governo que, alegando dificuldades para o país, seja tentado a colocar novamente as portagens”.
A comissão de utentes vai exigir também “a divulgação e denúncia pública do contrato da PPP [parceria público-privada] da Via do Infante”, considerando “necessário que aquelas questões obscuras que são desconhecidas dos algarvios e do povo português sejam tornadas públicas e que o Governo não pague as manigâncias que deram muitos milhões [de euros] à concessionária”.
Outra reivindicação da comissão passa por “exigir que a Via do Infante tenha um piso adequado” e que haja “uma manutenção adequada e rigorosa”. A comissão prepara-se agora para mudar de nome para Comissão de Utentes da Via do Infante e da Estrada Nacional 125, reivindicando para esta via a requalificação do piso no troço entre Olhão e Vila Real de Santo António.
Além da A22, as portagens deixarão de ser cobradas a partir do início do ano também na A4, A13 e A13-1, A23, A24, A25 e A28 nos troços entre Esposende e Antas e entre Neiva e Darque.
A Comissão de Utentes do Médio Tejo também assinalou a entrada em vigor da proposta aprovada na Assembleia da República contra a vontade do PSD e do CDS e a abstenção da IL. “As portagens na A23 e na A13 são um problema para a mobilidade de pessoas e bens e são um entrave ao desenvolvimento social e económico. Não contribuem para a coesão territorial, potenciam os problemas ambientais nas zonas urbanas e afetam a segurança rodoviária”, disse Manuel Soares à Lusa.
Também nesta região é reclamada agora a retirada dos pórticos que servem para registar as passagens dos automobilistas. “Temos vindo a alertar para a necessidade de serem desinstalados os pórticos, porque existe o receio de que, com uma nova conjuntura, as portagens regressem. Já que foram implantadas, mantidas e abolidas de uma forma estranha, vamos manter-nos alerta para o que possa vir a suceder”, disse Manuel Soares ao Jornal de Notícias. A comissão defende também a necessidade de melhorar a segurança e manutenção de algumas estradas secundárias que “ficaram muito degradadas com a excessiva utilização, por os condutores fugirem das portagens”.
Para Luís Garra, da Plataforma P’la Reposição das SCUTS na A23 e A25, a retirada dos pórticos não é uma prioridade e o momento é de “centrar o discurso na vitória de terminar o pagamento das portagens”, com a plataforma a colocar tarjas com a frase “Obrigado aos que nunca desistiram”.