Visita de Merkel: “o maior número de protestos alguma vez realizados em seis horas”, prevê PSP

09 de novembro 2012 - 14:37

O Governo sabe que Angela Merkel não é bem-vinda e parece muito preocupado com a sua visita a Lisboa, na próxima segunda feira. Uma fonte da PSP prevê que a visita da chanceler “será o maior número de protestos alguma vez realizados num espaço de seis horas”. Cidadãos e cidadãs continuam a mobilizar-se e tomam iniciativas de protesto.

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Protesto “A Merkel não manda aqui! Panos pretos contra a troika!” apela à mobilização de todo o país para cobrir de negro “muitas praças das cidades portuguesas, janelas, lojas, táxis e autocarros”

O jornal “Diário de Notícias” desta sexta feira dá conta das elevadas preocupações do Governo e das forças de segurança com a visita da chanceler a Lisboa na próxima segunda feira, 12 de novembro de 2012.

Segundo o jornal , o Serviço de Informações de Segurança (SIS) considera que a visita da chanceler alemã tem um risco “significativo” de atentado. “Como medida preventiva de possíveis atentados terroristas contra a senhora Merkel, a PSP pediu, no âmbito do Sistema de Segurança Interna (SSI), que o espaço europeu fosse fechado e que as patrulhas de segurança no rio Tejo fossem reforçadas”, disse uma fonte da PSP ao jornal. A PSP terá também pedido apoio às forças armadas para evitar “possíveis atentados terroristas” e a GNR terá tropas especiais de reserva, do grupo de intervenção e ordem pública, para apoiar a PSP se for necessário.

A maior preocupação parece provir da previsão da PSP, revelada ao “Diário de Notícias” por uma fonte da PSP: “há a convicção de que será o maior número de protestos alguma vez realizado num espaço de seis horas”.

Segundo o jornal, a operação de segurança em torno da visita da chanceler alemã é a prioridade do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP e a fonte dessa polícia refere ao jornal: “Há uma série de grupos políticos formais e informais que querem mesmo criar dificuldades à visita da chanceler alemã”.

Estas medidas dão conta que o Governo português, assim como a própria chanceler e o Governo alemão, sabem que “Merkel não é bem-vinda”, como salienta a carta de um grupo de cidadãos, e temem o apoio que os protestos contra a vinda da chanceler alemã possam ter, como a manifestação convocada para às 13h, do Largo do Calvário em direção a Belém pelos ativistas da iniciativa "Que se Lixe a Troika".

Frise-se que a crescente campanha governamental de apoio à visita da chanceler e as ameaças veladas das forças de segurança não estão a limitar as iniciativas de protesto, que se multiplicam nas redes sociais. De salientar a convocatória “A Merkel não manda aqui! Panos pretos contra a troika!”, evento no facebook, que considera que a visita deve ter a expressão pública do descontentamento, “com a rejeição das políticas desastrosas da troika e da austeridade, que nos condena ao empobrecimento e ao desemprego” e que apelam à mobilização de todo o país para cobrir de negro “muitas praças das cidades portuguesas, janelas, lojas, táxis e autocarros”.