APAV divulga estudo sobre assédio sexual no trabalho em Portugal

24 de February 2022 - 9:55

No barómetro APAV/Intercampus, 18% das pessoas inquiridas declara ter sido vítima de pelo menos uma situação de assédio sexual no local de trabalho. Nove em cada dez vítimas são mulheres e quem pratica o assédio é, em 55% dos casos, um superior hierárquico.

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Foto Alecska @ Followthestory.net

Assinalando o Dia Europeu da Vítima de Crime, no dia 22 de fevereiro, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) apresentou os resultados do estudo sobre assédio sexual no local de trabalho. Neste inquérito, realizado pela Intercampus, no âmbito da parceria com a APAV, quase duas em cada dez das 824 pessoas inquiridas admitiu ter sido vítima de assédio sexual no local de trabalho e nove em cada dez vítimas são mulheres.

No documento é assinalado que existe uma elevada consciência relativamente às situações consideradas como assédio sexual, já que mais de 80% das pessoas inquiridas identifica a quase totalidade das situações expostas como assédio sexual.

A larga maioria dos entrevistados considera o assédio sexual como uma forma de uso abusivo de poder. Neste sentido, identificam a fragilidade dos vínculos laborais precários como potenciadora de mais situações. Contudo, é “largamente reconhecido que o assédio sexual não é apenas praticado pelos superiores hierárquicos”. Os dados revelam que, em 45% dos casos os assediadores são colegas de trabalho.

O estudo aponta ainda que mais de 80% das pessoas inquiridas considera mais provável que uma mulher seja vítima de assédio sexual no local de trabalho e que mais de metade considera mais provável que as vítimas sejam de grupos etários mais jovens. Esta perceção coincide com os casos de assédio confirmados: 18% da amostra declara ter sido vítima de pelo menos uma situação de assédio sexual no local de trabalho, sendo que em causa estão, essencialmente, mulheres entre os 18 e os 54 anos.

Mais de 60% dos inquiridos considera que o assédio sexual é difícil de ser provado, difícil de ser punido. Acresce que, do total de indivíduos que declara ter sido sexualmente assediado no local de trabalho, apenas 40 avançaram com uma denúncia. A dificuldade em fazer prova do assédio, vergonha, receio de desvalorização e receio de represálias, e a culpabilização estão na origem da baixa taxa de denúncias.

Cerca de um terço (32%) das vítimas que efetuaram uma denúncia declarou ter sofrido represálias e 22% arrependeu-se de o ter feito. Mais de metade das denúncias é efetuada junto da própria entidade patronal. Mas apenas 23,8% das 130 mulheres vítimas declarou ter denunciado a situação, enquanto entre as 18 vítimas do sexo masculino essa percentagem sobe para 50%.