Gregory McMichael, com 66 anos, o seu filho Travis, com 36 anos, e o seu vizinho, William Bryan, com 52 anos, já tinham sido considerados culpados no ano passado pelo assassinato de Ahmaud Arbery. O veredicto de terça-feira diz respeito a um conjunto separado de acusações federais apresentadas pelo Departamento de Justiça dos EUA. O júri deste último julgamento considerou os réus culpados de todas as acusações, algumas das quais envolviam estatutos federais de crimes de ódio.
Os três homens foram acusados de usar força e ameaças para privar Arbery do seu direito de usufruir de uma via pública apenas por causa da cor da sua pele. Sobre os McMichael e William Bryan recaía ainda a acusação de sequestro. Travis McMichael foi condenado por disparar uma espingarda e o seu pai foi condenado por brandir um revólver.
Os jurados aceitaram o argumento da procuradoria de que os McMichaels e Bryan foram movidos por "preconceitos raciais, ressentimento racial e ódio racial". Numa entrevista coletiva na terça-feira, o procurador-geral dos EUA, Merrick Garland, afirmou que o Departamento de Justiça usaria os seus recursos para "confrontar atos ilegais de ódio". "Ninguém neste país deve temer a ameaça de violência alimentada pelo ódio", frisou, acrescentando que "ninguém deve temer ser alvejado e morto por causa da cor da sua pele quando sai para uma corrida".
Nos Estados Unidos, é difícil garantir condenações por crimes de ódio, na medida em que a evidência de motivação racial deve ser apresentada "além de qualquer dúvida razoável". E o que constitui "uma dúvida razoável" muitas vezes pode ser subjetivo. Este veredicto é, portanto, visto como um passo importante no combate ao racismo, à violência racista e aos crimes de ódio.
A mãe de Arbery, Wanda Cooper-Jones, reiterou a importância de o mundo saber que o seu filho foi morto por ser negro. "Conseguimos uma vitória hoje, mas há tantas famílias por aí que não obtêm vitórias", apontou.
Ahmaud Marquez Arbery foi assassinado em Satilla Shores, um bairro perto de Brunswick, no condado de Glynn, Geórgia, Estados Unidos, a 23 de fevereiro de 2020. Arbery estava a fazer uma corrida quando três homens brancos decidiram persegui-lo: Travis McMichael e o seu pai Gregory, que estavam armados num veículo, e o seu vizinho, William "Roddie" Bryan, que estava noutro veículo e registou os acontecimentos. Depois de vários minutos, Travis McMichael confrontou Arbery com uma espingarda. Após um confronto físico, Travis disparou três vezes sobre Arbery.