BASF corta 2.600 postos de trabalho

26 de February 2023 - 10:14

A fatura do gás aumentou e a multinacional do setor químico alega dificuldades por isso. Mas ao mesmo tempo que corta empregos, continua a distribuir dividendos aos acionistas e vai deslocalizar parte da produção. Sindicatos e Comissão de Trabalhadores apelam a um programa de investimento que aposte na sustentabilidade ambiental.

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Foto da BASF. Flickr.

A multinacional alemã do setor químico BASF já tinha decidido despedir 700 pessoas de duas fábricas de amónia e fertilizantes. Agora anunciou que irá cortar 2,3% da sua força de trabalho até 2024, o que afetará 2.600 trabalhadores. Para além disso,vai parar com o programa de recompra das suas ações e colocar um travão em alguns dos seus investimentos que tinham como objetivos estratégicos a expansão para a China e a aposta em produtos químicos para baterias de automóveis.

A empresa justifica a medida com o fim do gás barato russo. Só o seu complexo industrial no Reno gasta 4% do total do consumo de gás da Alemanha. A empresa cortou 35% deste consumo o ano passado mas, apesar disso, a fatura do gás aumentou 2,2 mil milhões. Para além disso, a sua saída da Rússia e o fim do projeto de construção do gasoduto Nord Stream também pesaram. Este causou imparidades de 7,3 mil milhões de euros.

Mas, como sempre, os cortes não são para todos. Os lucros da empresa desceram o ano passado 11,5% mas não está a dar prejuízo já que o seu valor foi de 6,9 mil milhões de euros. Este ano prevê um EBIT (lucros antes de taxas de juros e impostos) de entre 4,8 a 5,4 mil milhões de euros. E por isso, a par com os cortes nos empregos, decidiu pagar um dividendo de 3,40 euros aos acionistas, num total de 3 mil milhões de euros.

E, por outro lado, não se pode dizer que a multinacional deixe de produzir. Vai deslocalizar parte da produção para os Estados Unidos e a China.

Também por isso, os trabalhadores da BASF não concordam com as medidas. A Comissão de Trabalhadores da BASF e o sindicato da indústria química IGBCE estão de acordo nas críticas. Em comunicado, Michael Vassiliadis, presidente daquele sindicato afirma que “desmantelar instalações e suprimir postos de trabalho não é uma estrutura adaptada para o sucesso” e que são precisos “inovações e investimentos corajosos” para ultrapassar a crise energética.

Sinischa Horvat, presidente da Comissão de Trabalhadores, defende que o grupo económico devia “investir mais” nos setores sustentáveis que considera terem futuro, como a economia circular, o hidrogénio verde e as energias renováveis de forma a “salvaguardar uma produção química importante no coração da Europa”. As duas organizações representativas dos trabalhadores uniram-se para apresentar um programa de recuperação e investimento para a empresa e para criticar “o programa de austeridade”.