Numa assembleia-geral de emergência realizada esta quinta-feira por convocatória do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil, os trabalhadores presentes votaram por larga maioria que fosse emitido um pré-aviso de greve na TAP para os dias 8 e 9 de dezembro.
Em análise durante grande parte do dia pelos cerca de 300 trabalhadores presentes esteve a proposta da administração da empresa para um novo Acordo de Empresa. Depois de receber o documento, o SNPVAC convocou de imediato a reunião por considerar o seu conteúdo “indigno e inqualificável”.
Ainda antes dela, já a diretora-executiva, Christine Ourmières-Widener, na conferência de imprensa da apresentação dos resultados trimestrais dizia que “uma greve seria um desastre porque iria pôr em causa todo o bom trabalho que foi feito pelos trabalhadores e pela empresa. Uma greve nunca é boa para nenhuma empresa. O diálogo que precisamos de ter não deveria passar por este tipo de ação mas não em cabe a mim decidir e acredito que nos devamos sentar à mesa e ver o que é possível fazer”.
A caminho da privatização, a administração da TAP decidiu rasgar os acordos de empresa existentes no sentido de impor novos, a entrar em vigor até ao fim do primeiro trimestre do próximo ano, onde estão previstos cortes salariais e uma flexibilização de horários.
Ao Dinheiro Vivo, Cristina Carrilho, coordenadora da Comissão de Trabalhadores da TAP, explicava ainda antes desta reunião sindical que “o que a empresa tem dito que pretende é que nos novos AE esteja prevista uma maior flexibilidade dos trabalhadores, em horários e em rendimentos. O que está a acontecer é uma preparação para que a TAP se torne numa empresa de mão-de-obra barata, magrinha, para que quem vier já tenha aqui tudo ao agrado. Claro que esta proposta de AE que fez aos sindicatos terá a ver também com a preparação da empresa para ser privatizada ao menor custo possível”.
Paulo Duarte, do Sindicato dos Trabalhadores e Aviação, concordava e diz que a denúncia dos acordos é “inqualificável”, fruto de “má-fé” e pretende colocar “a outra parte inferiorizada na negociação”.
Ao mesmo órgão de comunicação social, Ricardo Penarroias, presidente do SNPVAC, assegurava que a empresa “quer transformar unilateralmente a própria génese da negociação do acordo de empresa de 2006 e isso é grave”. Para ele, os trabalhadores não aceitarão mais cortes salariais num contexto de inflação. Lembra ainda que “os acordos de emergência pressuponham a suspensão temporária de alguns direitos e não a sua suspensão em definitivo. Esta proposta define que os direitos que estavam suspensos temporariamente passem a sê-lo de forma definitiva, e isso o SNPVAC não pode aceitar”.