Em reação às intervenções feitas na sessão de comemoração do 25 de Abril na Assembleia da República, Catarina Martins salientou a “importância” do Presidente da República ter afirmado “claramente que a história de Portugal não deve ser vista como um desfile de heróis mas deve ser pensada também tendo em conta as vítimas”. Para ela, isto é fundamental para nos “dar a imagem do que somos na pluralidade” e porque “quem foi oprimido, quem foi vítima tem de ser ouvido, tem de ter lugar na história”. Esta “não é só de quem em determinado momento venceu” e “também é escrita pelo sofrimento de tantos que tem estado invisível ao longo dos anos”.
Portanto, “a história não é um consenso nacional sobre heróis” mas “tem de ser debatida em si” já que “é contraditória”.
A porta-voz bloquista também destacou outra dimensão das intervenções deste domingo: o tema do combate à corrupção, nomeadamente colocado pelo Presidente da Assembleia da República mas que “também apareceu noutras intervenções”. O Bloco defende a necessidade de que o “combate à corrupção não seja uma proclamação contra a corrupção” mas seja “feito de mecanismos efetivos”. Isto passa “certamente” pelo enriquecimento injustificado de altos titulares de cargos públicos, medida em que o partido insistiu esta semana, mas igualmente “pelo combate aos off-shores, ao planeamento fiscal, aos mecanismos vários por onde se esconde o dinheiro da corrupção e do crime económico”.
Em último lugar, a dirigente bloquista fez ainda questão de sublinhar que o 25 de abril “não é simplesmente uma democracia ou uma verdade formal”. Pelo contrário, esta “é feita de conteúdos e é portanto a liberdade solidária, que construiu o Serviço Nacional de Saúde, a escola pública, a segurança social que é para todos e para todas”. Um legado “seguramente muito imperfeito” mas, conclui, “só com esta noção de Estado social associada à liberdade é que nos podemos ultrapassar esta crise e ter um país que combata as desigualdades, problema que infelizmente é estrutural no país”.