Inflação no material escolar pode chegar aos 16,5% este ano

30 de August 2022 - 15:56

O aumento do custo de vida reflete-se também nas despesas no inicio do próximo ano letivo com o material escolar. Gratuitidade dos manuais na escola pública ajuda a aliviar o impacto da inflação.

PARTILHAR
Foto de Paulete Matos.

Numa altura em que milhares de estudantes começam a preparar o regresso às aulas, as famílias portuguesas estão a ser confrontadas com os impactos da inflação no seu poder de compra. Portugal é um dos países do conjunto da OCDE onde os salários reais mais perderão face à escalada dos preços em vários tipos de produtos, com destaque para a energia e os bens alimentares. E, para muitos, o início do ano letivo pode agravar a situação.

O Diário de Notícias teve acesso a uma análise dos preços do material escolar por parte do site KuantoKusta, que analisa e compara os preços dos produtos em diferentes estabelecimentos. A conclusão é que o cabaz de material escolar básico – isto é, o conjunto de materiais que os encarregados de educação tipicamente adquirem para o ano letivo – está €15 mais caro do que no ano passado, o que representa um aumento de 16,54% face ao mesmo período de 2021.

De acordo com a comparação do KuantoKusta, um cabaz típico de um aluno de segundo ciclo, que continha lápis, esferográficas, estojo, cadernos, mochila e calculadora científica, custava €92,12 em agosto do ano passado. Este ano, o custo do mesmo conjunto de materiais subiu para €107,36. O site sublinha ainda que os materiais cujos preços mais aumentaram face ao ano passado foram os estojos (aumento homólogo de 42,86%), os cadernos A4 (aumento de 26,54%), e as mochilas (aumento de 10,81%).

A Renascença também procurou comparar diferenças de preços de material escolar entre duas cadeias de hipermercados e aí, devido ao efeito dos descotos e promoções, não encontrou indícios de inflação significativa. No entanto, este exercício abrangia apenas duas grandes superfícies e o material escolar comparado nem sempre foi o mais barato, mas sim o que permitia comparações entre o ano passado e este ano.

Manuais escolares gratuitos diminuem impacto

A gratuitidade dos manuais escolares para os alunos da escola pública tem evitado que o impacto da inflação seja ainda maior para a carteira das famílias. A medida, defendida pelo Bloco e aprovada no Parlamento durante o período da "geringonça", introduziu também a possibilidade de reutilização dos manuais, que tem sido muito utilizada. De acordo com os dados do Ministério da Educação citados pela agência Lusa, dos mais de 5 milhões de manuais distribuídos no ano passado aos alunos, 2,3 milhões foram reutilizados até ao início do mês de Agosto.

Termos relacionados: Sociedade