Segundo dados da ONU, cerca de 800.000 palestinos foram expulsos dos seus lares e das suas terras, entre 1947 e 1948. A ofensiva criminosa sionista, com o objetivo de ocupar e colonizar, massacrando e eliminando árabes, procedendo a uma limpeza étnica, tal como de um outro holocausto se tratasse, provocou largos milhares de refugiados.
A ONU, percebendo a situação catastrófica dos refugiados e da necessidade de os fazer regressar à sua terra, aprovou a 11 de Dezembro de 1948, em Assembleia Geral, a Resolução 194, a qual seria a primeira de muitas resoluções tendentes a um acordo para o retorno dos refugiados ou para a compensação pelas perdas e danos sofridos. Considerando também os descendentes dos refugiados de 1948, a ONU considera que o número oficialmente de refugiados registados será superior a 5 milhões, vivendo cerca de 1,5 milhões em 58 campos de refugiados reconhecidos. Estão espalhados pela Jordânia, Síria, Faixa de Gaza e Cisjordânia, incluindo Jerusalém Este. Vivem sem infraestruturas capazes, em condições sócio económicas degradantes e com excesso de densidade populacional.
Nakba surge como contraposição ao holocausto, no sentido de limpeza étnica. Mais de 80% dos habitantes árabes da região que viria a ser o estado de Israel, abandonou suas cidades e aldeias. O avanço sionista em Haifa, somado ao medo de um massacre, após o ocorrido entre 9 e 11 de Abril de 1948 em Deir Yaassin, pequena vila nas proximidades de Jerusalém onde ocorreu a matança de mais de 120 civis palestinos desarmados, acrescido do colapso da liderança palestiniana, originou essa fuga em pânico. Nakba reflete a ocupação e o extermínio. Representa a força de um estado colonial que rouba e mata, em nome de uma ideologia nacionalista e fascista, sem qualquer reconhecimento legal internacional. Não respeita o direito internacional, não só as deliberações da ONU como olvida a Convenção de Genebra. Israel é um estado fora da lei.
O primeiro governo israelita aprovou uma série de medidas impeditivas do regresso dos refugiados a suas casas e às suas terras. Durante a Conferência de Lausanne de 1949, Israel propôs o retorno de 100.000 refugiados à região, não necessariamente a suas casas e às suas terras, estando incluídos nestes 100.000 os 25.000 que regressaram sigilosamente e os 10.000 que se juntaram às famílias que haviam sido separadas. Estas propostas obrigavam à aceitação de um tratado de paz que passava pelo direito à manutenção do território ocupado e á obrigação dos estados árabes recolherem os refugiados palestinos. Por razões morais e políticas, tal proposta não foi aceite.
Os acontecimentos de 1948 são lembrados pelos palestinos, todos os anos, no dia 15 de Maio, o dia seguinte à comemoração da independência de Israel, no feriado que ficou conhecido como DIA de NAKBA. Como a memória é quase sempre revolucionária, em fevereiro de 2010, o Knesset, parlamento de Israel, presidido por um membro do partido fascista Likud no poder, aprovou a proibição de qualquer manifestação no dia 15 de Maio. Afinal têm medo que a própria verdade histórica se espalhe e possa ser motivo de curiosidade da sua população. Para o Povo Palestino foi o começo do genocídio - NAKBA.
Pela Palestina Livre e Independente - A Luta Contínua
As fronteiras de 1967, internacionalmente reconhecidas, deixam apenas 22% do território da Palestina histórica, divididos entre a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, sob controlo palestino. Desde a guerra de 1967 que Israel ocupa todo o território. Mais de 40% da Cisjordânia está sob ocupação dos colonatos, integrando as estradas exclusivas para colonos os muros de separação, os controlos e bases militares israelitas. Os colonatos israelitas ocupam zonas estratégicas e são verdadeiros postos avançados da ocupação. O muro da separação é a face mais visível da anexação na Cisjordânia, variando entre uma estrutura de betão com cerca de 8 metros de altura e zonas de arame farpado. Tem torres de vigia espaçadas de 30 a 100 metros ao longo de toda a sua extensão, e uma largura média de 60 metros. A sua construção tem sido feita à custa da destruição de casas e da expulsão de populações palestinas. Mais de 1.600 Kms de estradas exclusivas para colonos, ligam os colonatos entre si e fazem parte do muro da separação. Quando completo, o muro da separação, terá mais de 700kms, mais do dobro da fronteira reconhecida. Vinte e oito comunidades palestinas (125 mil habitantes) ficam cercados pelo muro, pelo menos por três lados.
Gaza situa-se na costa mediterrânica e tem cerca de 2 milhões de habitantes. A sua área, 364 km2, corresponde a uma área semelhante ao concelho de Tomar, é uma das mais densamente povoadas do mundo. Como afirmou a Shad Wadi, no encontro do Ceuta, se alguém atirar uma pedra pelo ar normalmente acerta na cabeça de alguém. Desde Junho de 2007 que Israel sujeita Gaza a um ilegal e cruel bloqueio, impedindo a circulação de pessoas e limitando a um mínimo a entrada de qualquer produto, incluindo bens de primeira necessidade como água, alimentos e medicamentos. Esta enorme concentração de palestinos, cercados por tanques por terra e sem outra saída a não ser o mar, com zona de limitação para a pesca vigiada por fragatas israelitas, não tem perspetivas de melhoria de vida a não ser a luta como arma justa e libertadora. Sempre que existe a possibilidade de entendimento entre as forças palestinas, Hamas e OLP, o exército sionista ataca, bombardeando e matando em avanços terrestres. Foi assim em 2014, onde o genocídio atingiu mais de dois mil mortos. O povo de Gaza vive, há muitos anos, como se estivesse numa prisão a céu aberto. É urgente que levantemos a bandeira deste povo, em nome duma Palestina livre e independente.
Somos Claros! Não confundimos religião com sionismo
Muita imprensa e muitos comentadores acolitados por alguns partidos, perfilam demagogicamente pela teoria do conflito religioso. Procuram incutir esse sentimento junto do senso comum, para que ninguém procure uma informação rigorosa e histórica. Devemos começar por afirmar, tal qual o afirmam os judeus ortodoxos que, em nome dos seus princípios religiosos, entendem que não existia qualquer razão para a formação do estado de Israel, pois árabes e judeus sempre viveram em paz na Palestina, cuidando amigavelmente dos filhos de cada um sem qualquer impedimento étnico.
O Sionismo é uma ideologia política, com cerca de 100 anos, apoiando-se em princípios colonialistas e fascizantes. Procurou suscitar apoios apelando a sentimentos religiosos, patrióticos e racistas, para criar grupos terroristas e criminosos para iniciar a invasão da Palestina, empurrando para fora das suas terras os palestinos e matando quem se lhes opunha. Nestes grupos estavam mercenários bem pagos. Com falsos pretextos de ocupação da terra prometida, impulsionaram muitas pessoas de origem judaica de todo o mundo a virem para a Palestina. Não pode haver confusão: não existe qualquer conflito religioso. Não existe sequer conflito, pois estamos na presença de um processo de ocupação permanente e diária, de perseguição étnica, e de um genocídio que se arrasta ao longo dos tempos. O sionismo afirmava-se como um movimento colonialista, predisposto a tomar e colonizar a Palestina. Posteriormente, com o aparecimento dos movimentos de libertação e a independência de muitos países colonizados, e a consequente nova ordem internacional condenatória do colonialismo, os sionistas retiram da sua cartilha o termo e passam a falar de colonatos como se de outra coisa se tratasse. O partido Likud, extrema direita no poder, tem procurado recrudescer o sentimento sionista. Os grupos fascistas perseguem não só palestinos como apoiantes judeus da causa palestiniana. Nas prisões israelitas estão mais de 5.000 palestinos, havendo registos de tortura e relatos da prisão frequente de crianças. Neste genocídio de 2014, meticulosamente preparado pelas forças sionistas, o objetivo de limpeza étnica ficou bem expresso no ataque deliberado contra as escolas da ONU onde se encontravam crianças. Israel e seus apoiantes, não podem sair impunes de tais crimes.
Tal como pressupõe a nossa Constituição, era dever do governo português fazê-la cumprir quando diz: "Portugal rege-se nas relações internacionais pelos princípios (...) do respeito pelos direitos do homem, dos direitos dos povos, da igualdade entre os estados, da solução pacífica dos conflitos internacionais (...), reconhecendo ainda o direito à insurreição contra todas as formas de opressão" art. 7º da CRP. Mesmo a pretensa alegação de terrorismo, cai por terra quando está pressuposto o direito à defesa e revolta contra o ocupante agressor. Todos fingem não ver o que se passa, preferindo a cumplicidade criminosa. Apoiemos a campanha BDS - Boicote, Desinvestimento e Sanções pelo fim do apartheid israelita, pelo fim de linha para os agressores, pelo apoio à vitória do Povo Palestino. Um dia vamos todos vencer!
Texto de Pedro F. Martins Pereira