Mas os seus casos não são os únicos. Têm surgido nas redes sociais e nos media vídeos e relatos de situações similares. Inclusive mulheres com crianças estão a ver o acesso à Polónia negado apenas pela cor da sua pele. As autoridades negam-se a prestar-lhes quaisquer esclarecimentos.
A mãe de Domingos José da Costa explica que o seu filho estava a estudar em Kiev e tentou abandonar o país. Está ao relento há três dias na fronteira, sem conseguir sequer que a polícia fronteiriça ucraniana olhe para o seu passaporte e confirme a sua nacionalidade.
Uma situação inaceitável, com testemunhos nos noticiários da @antena1rtp. Um país da União Europeia a fechar a sua fronteira a cidadãos portugueses. #StopRacism #StopWar https://t.co/0uggcPPfA8
— Luís Cristóvão (@luis_cristovao) February 28, 2022
A família do estudante conta que todos os negros e asiáticos foram corridos “à bastonada para saírem da frente e deixarem passar refugiados brancos”. Mãe está indignada que o seu filho não consiga chegar a casa apenas por ser negro.
"I see bloodshot racism in their eyes. They want to save themselves & are losing their humanity in the process," one man told me.
Black and brown migrants in Ukraine are being blocked from fleeing to safety as Russian attacks continue. #AfricansinUkrainehttps://t.co/ASfhY7s10u
— Nadine White (@Nadine_Writes) February 27, 2022
O The Independent refere que imigrantes africanos na Ucrânia estão a ser impedidos de fugir para um local seguro enquanto os ataques russos continuam a devastar o país. Os afro-descendentes que vivem na região dizem que foram deixados de lado, com alguns a utilizar o Twitter nos últimos dias para partilhar relatos de abandono.
Osarumen, pai de três filhos, explicou ao jornal britânico que ele, os seus familiares e outros imigrantes foram instruídos a desembarcar de um autocarro prestes a cruzar a fronteira no sábado. A razão: não transportavam negros.
“Em todos os meus anos como ativista, nunca vi nada assim. Quando olho nos olhos daqueles que nos estão a rejeitar, vejo racismo impregnado; eles querem salvar-se e estão a perder a sua humanidade no processo”.
“Isto não está acontecer apenas com os negros – até indianos, árabes e sírios”, apontou Osarumen.