Harvey Weinstein viu esta quinta-feira o tibunal de Los Angeles fixar em 16 anos a pena que terá de cumprir pelo crime de violação. Aquele que em tempos foi uma das figuras mais poderosas de Hollywood, enquanto co-fundador da produtora e distribuidora Miramax, está hoje, aos 70 anos de idade, a cumprir outra pena por crimes semelhantes, decretada por um tribunal de Nova Iorque.
As denúncias contra Weinstein por parte de atrizes desencadearam o movimento MeToo nos Estados Unidos e trouxeram a público o que a defesa do produtor chamou de cultura de "casting couch" generalizada no mundo do cinema, em que favores sexuais são trocados por avanços na carreira, e o que as vítimas definem como uma cultura de impunidade dos abusos sexuais praticados por homens protegidos pelo seu poder incontestado neste meio, de que Weinstein será o exemplo acabado.
No caso agora julgado e que acabou em condenação, as agressões sexuais tiveram lugar em fevereiro de 2013 contra uma antiga modelo e atriz num hotel de Los Angeles. Outras três queixas, incluindo a da atriz Jennifer Siebel Newsom, a atual esposa do governador da Caifornia, resultaram na absolvição ou na falta de unanimidade do veredito do júri.
Weinstein está preso desde 2020 em Los Angeles e cumpre atualmente uma pena por ato sexual criminoso em primeiro grau contra a assistente de realização Mimi Haley e violação em terceiro grau contra a atriz Jessica Mann.
Em outubro de 2017, uma reportagem do New York Times veio trazer a público as denúncias de assédio sexual, agressão sexual e violação feitas por mais de 12 mulheres. O impacto do produtor na indústria do cinema estadunidense era de tal forma grande que alguns órgãos de comunicação social se recusaram a noticiar as denúncias em primeira mão e o produtor contratou detetives privados para obterem informação sobre as mulheres que se preparavam para relatar os seus casos e convencê-las a desistir. Em 2018, a atriz italiana Asia Argento aproveitou a sua presença no palco do Festival de Cannes para recordar o facto de ter sido violada por Harvey Weinstein naquele mesmo festival, em 1997. Poucos dias depois, o produtor entregava-se à polícia em Nova Iorque