“O 18 de janeiro lembra-nos que há combates fundadores da luta emancipatória”

19 de janeiro 2014 - 16:45

No jantar que assinalou os 80 anos da greve geral de 18 de janeiro de 1934, Fernando Rosas denuncia que os trabalhadores portugueses se encontram hoje perante um ataque similar ao que o regime salazarista perpetrou em 1933. A coordenadora Catarina Martins deu o exemplo dos trabalhadores da Linha de Saúde 24, despedidos por lutarem, e garantiu que Bloco de Esquerda está presente para continuar a luta, “sem nunca desistir, as vezes que forem precisas”.

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“A oligarquia neoliberal que hoje se encontra no poder, aliada ao capital financeiro internacional, quer dobrar o movimento sindical, desorganizá-lo, esvaziá-lo para fazer regredir os direitos do trabalho a cem anos atrás", denunciou Fernando Rosas. Foto de Paulete Matos
“A oligarquia neoliberal que hoje se encontra no poder, aliada ao capital financeiro internacional, quer dobrar o movimento sindical, desorganizá-lo, esvaziá-lo para fazer regredir os direitos do trabalho a cem anos atrás", denunciou Fernando Rosas. Foto de Paulete Matos

Para Fernando Rosas, é importante assinalar de forma especial os 80 anos do 18 de janeiro de 1934 porque os trabalhadores portugueses se encontram hoje perante um ataque similar ao que o regime salazarista perpetrou em 1933 contra os trabalhadores. “A oligarquia neoliberal que hoje se encontra no poder, aliada ao capital financeiro internacional, quer dobrar o movimento sindical, desorganizá-lo, esvaziá-lo para fazer regredir os direitos do trabalho a cem anos atrás. Para cortar salários e pensões, para acabar com a contratação coletiva de trabalho, com a jornada de oito horas, com direitos e regalias conquistados com rios de sangue e de sacrifício”, afirmou. E sob pena de se seguirem os ataques “ao direito à greve e à liberdade de associação e de expressão sindical, somando a repressão à exploração, os trabalhadores portugueses têm de continuar a lutar”.

Gesto indómito, combate decisivo

Por isso, prosseguiu o historiador, “a memória do gesto indómito do 18 de janeiro ajuda-nos seguramente a ter isso presente”. Por outro lado, disse Fernando Rosas, “o 18 de janeiro lembra-nos que há combates decisivos que são fundadores da luta emancipatória, mesmo quando são temporariamente derrotados”.

Para a deputada Catarina Martins, as lutas de hoje, tal como no 18 de janeiro, também procuram evitar o regresso ao passado. A coordenadora do Bloco de Esquerda deu o exemplo dos trabalhadores da Linha de Saúde 24, despedidos por lutarem.

Despedir trabalhadores que deram a cara pela luta é voltar ao passado

“Estes trabalhadores estão a fazer das lutas mais duras. Trabalhadores sem nenhum vínculo, sem qualquer proteção, a recibo verde, juntaram-se e pararam a Saúde 24 no Porto e em Lisboa pelos seus direitos”, recordou Catarina Martins. E prosseguiu: “Soubemos que 16 desses trabalhadores foram despedidos, entre eles todos aqueles que deram a cara por esta luta. Isto é regressar ao passado – que os trabalhadores não tenham nenhum direito e quando dão a cara pela decência, pela dignidade, pela defesa da sua profissão, possam ser despedidos de um dia para o outro, como fez a empresa que gere a Saúde 24”, afirmou a coordenadora do Bloco, denunciando que “este é o país que Pedro Passos Coelho que nos quer apresentar, o regresso ao passado”.

Lembrando a luta do operariado que há 80 anos se levantou, Catarina Martins sublinhou que mesmo quando é tão duro o retrocesso, o Bloco de Esquerda está presente para continuar a luta, “sem nunca desistir, as vezes que forem precisas”.

No jantar falaram ainda António Chora, e Cristiana Sousa, da Concelhia da Marinha Grande.

Sala cheia no colóquio

Durante a tarde, decorreu um concorrido colóquio, organizado pela Cooperativa Culturas do Trabalho e Socialismo – Cultra, num auditório da Biblioteca Municipal da Marinha Grande onde que foi pequeno para as mais de 200 pessoas presentes, que puderam também apreciar a exposição instalada para o efeito.

O colóquio teve duas mesas. A primmeira, “O Sindicalismo nos anos 30. A indústria vidreira na Marinha Grande”, teve intervenções de Emília Margarida Marques e Paulo Alves. A segunda mesa foi subordinada ao tema “O 18 de Janeiro na Marinha Grande e no país. Memória e história”, apresentado por Hermínio Nunes, João Madeira, Luís Farinha e Miguel Cardina.

No colóquio esteve também presente Edmundo Pedro, histórico resistente contra o fascismo, preso durante 10 anos no Tarrafal, que fez uma intervenção salientando a importância da memória no combate político.