Afinal não foram apenas as fortunas de Pinochet que tiveram como destino a sucursal do Banco Espírito Santo em Miami. O parlamento chileno está a investigar um novo caso que envolve milhões de dólares de comissões ilegais resultantes da compra de 25 aviões Mirage pelas Forças Armadas do Chile à Bélgica. O representante do fabricante dos aviões recebia luvas e distribuia-as por vários oficiais do exército chileno. Parte desse dinheiro foi parar a várias contas do BES.
O negócio data de 1994 mas a investigação é deste ano. As Forças Armadas Chilenas compraram 25 aviões Mirage à Bélgica, um negócio que envolveu uma série de comissões ilegais. O homem que coordenou todo o negócio é Conrado Ariztía, que desde os meados dos anos 90 inciou uma proveitosa carreira como representante de fabricantes de armamento, convertendo-se num dos pricnipais contactos das Forças Armadas Chilenas. A sua principal função era precisamente assegurar um mercado chileno para as ditas empresas de armamento, e os arquivos do banco Espírito Santo em Miami têm uma cópia do seu passaporte. Segundo a imprensa chilena, Conrado Ariztía chegou a manejar quase 61 milhões de dólares em contas do BES.
A investigação que partiu da Bélgica, e que levou ao levantamento do sigilo bancário ordenado pelos EUA, revelou que uma das empresas de Ariztía - a I-Systems - recebeu uma quantia de mais de 4 milhões de dólares numa das contas que detinha no Banco Espírito Santo. Mas há ainda outros 4 milhões de dólares em luvas que foram parar a outra sociedade - Intercountry Holding - também de Ariztía. Quem assessorava esta conta era precisamente um executivo do BES de Miami - Edgard Tatman - o mesmo que geriu as contas de Pinochet para ocultar a sua fortuna no banco. A investigação concluiu que Ariztía recebia essas quantias da Direcção Geral de Aeronáutica do Chile e da Missão Naval Chilena.
As luvas beneficiaram também vários oficiais chilenos e até um actual deputado Francês (Bernard Carayon). Um dos generais envolvidos vai ser ouvido no próximo dia 9 de Maio pela comissão parlamentar de inquérito chilena. Chama-se Dezeregada Salgado e é considerado uma peça chave neste processo, dado que terá recebido vários milhões de dólares em comissões ilegais, também a partir de contas do BES de Miami.
Dezerega abriu cinco contas, entre 1993 e 1994, no BES de Miami, em nome da sociedade "Nor-Sur Maagement", nas quais recebeu depósitos de 3 milhões de dólares vindos de Conrado Aritzía, o representante dos fabricantes, estimando-se que pelo menos 183 mil dólares eram pagamentos de comissões.
A ingenuidade das declarações de Derezega à imprensa são reveladoras: "Aritzía disse-me que estava habituado a este tipo de negócios e que deviam ser operados através de contas de carácter reservado que deviam ser abertas no estrangeiro". E acrescenta: "Assim, em Setembro de 1993 viajei até Miami, onde me encontrei com Aritzía. Ele apresentou-me a um gestor de contas do Banco Espírito Santo, Edgar Tatman [o mesmo gestor das contas de Pinochet], alguém que havia sido recomendado a Aritzía"
E Derezega explica ainda que o processo "concretizava-se mediante depósitos na conta Nor-Sur Management" afirmando depois que "desconhecia a origem desses dinheiros, isso não me interessava".
Para mais informações sobre este caso consulte os seguintes links da imprensa chilena:
http://latercera.com/contenido/674_120422_9.shtml
http://www.elrancahuaso.cl/admin/render/noticia/18380
http://www.atinaarica.cl/content/view/225250/
http://www.piensachile.com/content/view/3591/9/
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