UE dá sinais de desorientação

16 de maio 2012 - 11:11

Merkel e Hollande falam em manter a Grécia no euro, Christine Lagarde em saída organizada, Juncker diz que isso nem se deve discutir, Schäuble só aceita a aplicação implacável do memorando da troika.

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Segundo a chanceler alemã, há “pontos de acordo” e “sinais de divergência”. Foto EPA/RAINER JENSEN

Uns querem a Grécia no Euro, outros querem a sua saída, uns falam de propostas para o crescimento, outros que a Grécia tem de cumprir o memorando da troika sem qualquer negociação. Nesta terça, os líderes da União Europeia dificilmente poderiam ter dado imagem de maior desorientação.

Na primeira cimeira franco-alemã logo a seguir à tomada de posse de François Hollande como presidente de França, a conclusão dos líderes dos países que mandam na Europa foi que querem a manutenção da Grécia no euro.

“Queremos que a Grécia permaneça na Zona Euro”, garantiu a chanceler alemã, Angela Merkel, no termo do primeiro encontro com o novo presidente francês. “Desejo, como a senhora Merkel, que a Grécia permaneça na Zona Euro”, reforçou François Hollande. Foi o único anúncio assumido pelos dois. Já no que diz respeito às políticas de crescimento que o presidente francês afirma querer que sejam adotadas, a chanceler alemã afirma que há “pontos de acordo” e “sinais de divergência”.

“O método que acertámos consiste em submeter todas as ideias, todas as propostas, e ver em seguida quais são as traduções jurídicas para colocá-las em prática”, explicou o chefe de Estado francês.

Traduzindo a linguagem diplomática, não há qualquer acordo.

Uma saída ordenada”

No mesmo dia, porém, a francesa Christine Lagarde, diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, admitia a hipótese de uma “saída ordenada” da Grécia do euro.

“Se os compromissos não viessem a ser respeitados, há revisões apropriadas a fazer e isso quer dizer financiamentos suplementares e tempo suplementar, ou mecanismos de saída, que deveria ser uma saída ordenada, neste caso”, disse, reconhecendo que um tal desfecho “seria extraordinariamente custoso e apresentaria grandes riscos”.

Na noite de segunda-feira ocorrera a cimeira dos ministros das Finanças dos países da Zona Euro, quando o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, afirmou que “a possibilidade de a Grécia sair da Zona Euro” não foi sequer “objeto de discussão” e censurou mesmo “a forma como alguns ameaçam a Grécia dia após dia”.

Schäuble rejeita qualquer renegociação

Quem teria em mente Juncker ao fazer esta censura? Provavelmente o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, que já esta quarta-feira afirmou que o programa da troika para a Grécia não pode ser renegociado.

“Este é um programa de assistência preparado de forma muito minuciosa, e nós não podemos renegociá-lo”, afirmou à rádio Deutschlandfunk. A afirmação deu um novo contributo para o progressivo afundamento dos partidos gregos que defendem o memorando da troika e que, diante do repúdio maciço do povo grego, apelam agora para a renegociação dos termos do acordo, sempre na mira de continuar a aplicar a austeridade.