Um dos ícones turísticos mais conhecidos da cidade de Lisboa foi esta quarta-feira o palco de um trágico acidente. O elevador que partia do cimo da Calçada da Glória descarrilou, ganhou velocidade e embateu com grande violência contra um prédio.
Segundo o primeiro-ministro, que ao início da tarde de quinta-feira corrigiu as informações divulgadas horas antes pela Proteção Civil de Lisboa, havia 16 mortes a lamentar e 21 pessoas feridas, cinco das quais com gravidade, internadas em vários hospitais de Lisboa.
A Polícia Judiciária deslocou-se ao local para fazer perícias e já foram anunciados vários inquéritos. O Governo decretou um dia de luto nacional, o presidente da Câmara de Lisboa decretou três dias de luto municipal e o Presidente da República cancelou a Festa do Livro em Belém, que teria início esta quinta-feira.
Em declarações à agência Lusa, Manuel Leal, dirigente sindical da Fectrans e do STRUP, defendeu que deve ser realizado um “inquérito às causas profundas deste acidente, até porque os trabalhadores já vêm reportando de há muito tempo questões da necessidade da manutenção destes elevadores voltar à responsabilidade dos trabalhadores da Carris e não ser entregue a empresas exteriores, como é o caso concreto do elevador da Glória”.
“Os próprios trabalhadores iam reportando, de facto, estas diferenças em termos daquilo que a manutenção que há uns anos era feita pelos trabalhadores da Carris e as diferenças para a manutenção que é feita hoje, nomeadamente com queixas sucessivas dos trabalhadores que lá laboram quanto ao nível de tensão dos cabos de sustentação destes elevadores”, prosseguiu o sindicalista.
O presidente da Carris, Pedro de Brito Bogas, falou à comunicação social para confirmar que a manutenção está entregue a uma empresa externa [a Main - MNTC Serviços Técnicos de Engenharia, Lda], mas garantiu que ela foi feita “escrupulosamente”.
Mariana Mortágua: "Haverá tempo para esclarecer tudo o que há a esclarecer"
Nas redes sociais, a coordenadora bloquista Mariana Mortágua, que desde domingo está a participar na missão humanitária Global Sumud Flotilla em direção à Faixa de Gaza, diz ter recebido "com consternação" as notícias da tragédia em Lisboa.
"Haverá tempo para esclarecer tudo o que há a esclarecer. Para já, deixo uma palavra de pesar às famílias das vítimas e de rápida recuperação aos feridos", afirmou Mariana Mortágua.
Também Alexandra Leitão, que encabeça a lista da coligação “Viver Lisboa“, que junta PS, Livre, Bloco e PAN, afirmou aos jornalistas que "haverá tempo para tirar lições do sucedido e neste momento quero reiterar a consternação por um acidente tão grave na cidade de Lisboa”.
Notícia atualizada às 14h30 de 4 de setembro com as declarações do primeiro-minsistro a corrigir a informação prestada horas antes pela Proteção Civil de Lisboa sobre o número de mortes e feridos do acidente.